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Cansado de contemplar o vôo dos
instantes, todos cheios de
horas carregadas de dias
abarrotados de meses repletos de
anos. Nostálgico dos
momentos plenos
de significância, e da meteórica luminosidade do olhar que
num piscar diz mais e melhor que todos os discursos,
e do mágico milissegundo que antecede ao beijo, e da vital
fugacidade que une para sempre o tique ao taque. Farto das
experiências que passam sem deixar rastro, e dos projetos
que morrem na praia, e das utopias que envelhecem virgens,
e das promessas que não passam disso, e da vida mansa que
pouco a pouco e para sempre cumpre a sua condena na prisão
do tempo. Saudoso de uma microscópica sensação de paz,
da expressiva felicidade do para sempre, da imperecível
dor do nunca mais. |