Cansado  de contemplar o vôo dos instantes, todos cheios de horas carregadas de dias abarrotados de meses repletos de anos.
Nostálgico dos momentos plenos de significância, e da meteórica luminosidade do olhar que num piscar diz mais e melhor que todos os discursos, e do mágico milissegundo que antecede ao beijo, e da vital fugacidade que une para sempre o tique ao taque.
Farto das experiências que passam sem deixar rastro, e dos projetos que morrem na praia, e das utopias que envelhecem virgens, e das promessas que não passam disso, e da vida mansa que pouco a pouco e para sempre cumpre a sua condena na prisão do tempo.
Saudoso de uma microscópica sensação de paz, da expressiva felicidade do para sempre, da imperecível dor do nunca mais.


 


© Bruno Kampel